Era larga a entrada
Que conduzia ao teatro.
Seus corredores eram amplos
E verticais .
O público acedia em grande número
Para a única apresentação da noite.
O que é o mais importante num casamento?
O diálogo? A lealdade? Tudo isto e mais um
pouco?
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
domingo, 29 de novembro de 2009
Positivo
À memoria de Raul de Azevedo
I
Homem, o martelo
não sabe à boca
Os planos conduzem
ao interior denso do
mar.
dias e noites,
sábados, morte...
a dor precoce do domingo
interregno consentido
num país livre?
de homens livres?
II
lua e sol,
bodas de cristal.
eu só e o nada
mas meu sim paira
sobre a calçada
meu sim atravessa
a rua
a catraca
meu sim liberta
a ninguém e no nada.
III
Já não há mais medo nem dor
Da polícia, do bandido, do bando
De loucos em fúria, das catástrofes,
Dos desmoronamentos, das enchentes.
Cada um segue
(atrofiado)
em seu próprio abismo
IV
Mas meu sim reflui, indo e vindo no asfalto
Meu sim se afirma a cada passo no tempo
Meu sim é da moça no conjunto cor rosa
Meu sim é do negro que despacha pacotes
Do moto-boy em sua roupa de borracha e suor
Convertam os carros pelas curvas,
Passem os cartões nas máquinas,
Empacotem os legumes,
Embrulhem as frutas e os vidros,
Observem os anéis.
Os anéis são dourados em volta de tudo,
Mas meu sim não se estraga
nesse chão falso e pobre
Meu sim dribla as curvas, os bueiros e dutos,
Meu sim revive longe dos mercados e sua infinita
Confusão.
V
A degradação humana nas prateleiras,
A degradação e seu triste sotaque,
Seu começo, seu fim,
Seu objeto alheio.
Farrapos, andrajos,
calça o negro mendigo
está sujo e fede, mas está vivo
na guerra.
Se baixasse os seus olhos,
se ao menos os baixasse.
Mas, não...
É preciso remover esses olhos remidos,
É preciso converter em vitrine essa dor
VI
Meu sim ressurge nas chaves das portas,
Dos carros que partem e chegam em casa.
É preciso aprender a ser só e a só ser
Ter um cão e amá-lo, ter um cão e um
amigo
entre tantos que se foram pra nunca mais
I
Homem, o martelo
não sabe à boca
Os planos conduzem
ao interior denso do
mar.
dias e noites,
sábados, morte...
a dor precoce do domingo
interregno consentido
num país livre?
de homens livres?
II
lua e sol,
bodas de cristal.
eu só e o nada
mas meu sim paira
sobre a calçada
meu sim atravessa
a rua
a catraca
meu sim liberta
a ninguém e no nada.
III
Já não há mais medo nem dor
Da polícia, do bandido, do bando
De loucos em fúria, das catástrofes,
Dos desmoronamentos, das enchentes.
Cada um segue
(atrofiado)
em seu próprio abismo
IV
Mas meu sim reflui, indo e vindo no asfalto
Meu sim se afirma a cada passo no tempo
Meu sim é da moça no conjunto cor rosa
Meu sim é do negro que despacha pacotes
Do moto-boy em sua roupa de borracha e suor
Convertam os carros pelas curvas,
Passem os cartões nas máquinas,
Empacotem os legumes,
Embrulhem as frutas e os vidros,
Observem os anéis.
Os anéis são dourados em volta de tudo,
Mas meu sim não se estraga
nesse chão falso e pobre
Meu sim dribla as curvas, os bueiros e dutos,
Meu sim revive longe dos mercados e sua infinita
Confusão.
V
A degradação humana nas prateleiras,
A degradação e seu triste sotaque,
Seu começo, seu fim,
Seu objeto alheio.
Farrapos, andrajos,
calça o negro mendigo
está sujo e fede, mas está vivo
na guerra.
Se baixasse os seus olhos,
se ao menos os baixasse.
Mas, não...
É preciso remover esses olhos remidos,
É preciso converter em vitrine essa dor
VI
Meu sim ressurge nas chaves das portas,
Dos carros que partem e chegam em casa.
É preciso aprender a ser só e a só ser
Ter um cão e amá-lo, ter um cão e um
amigo
entre tantos que se foram pra nunca mais
VII
Meu sim...
Modelo de rito e semente de estrada
Caminho longínquo de volta à mata
Nega a cidade, seu começo e fim
Parem os bondes, os trens, aviões,
Parem as usinas, as aluviões
deixem a tarde cair
sem cortinas ou véus
Meu sim...
Modelo de rito e semente de estrada
Caminho longínquo de volta à mata
Nega a cidade, seu começo e fim
Parem os bondes, os trens, aviões,
Parem as usinas, as aluviões
deixem a tarde cair
sem cortinas ou véus
sábado, 28 de novembro de 2009
combalido
comba-
lido,
lido,
lido
com
a dor
do meu
estado.
cantar
beijos,
beijos,
beijos,
me é
coisa
do pas-
sado,
sado,
sado.
lido,
lido,
lido
com
a dor
do meu
estado.
cantar
beijos,
beijos,
beijos,
me é
coisa
do pas-
sado,
sado,
sado.
domingo, 22 de novembro de 2009
As Cinco Loucas do Hospício
Realmente não conheço ninguém
tão, tão, tão, tão, mas tão bem
como a mim e às
loucas do hospício.
Percebi, compreendi, desde o
início,
no arremate deste riso solto,
feitos fôramos umas pro outro,
eu e as loucas do hospício.
Ana Clara, Maria, Joana,
Lúcia Maria e Luiza;
quem vai, sempre
volta e avisa:
bem-vindo de algum precipício
sois vós entre as loucas do hos-
pício.
Estarei em juízo de homem,
ou será este algum torpe vício?
Não sei, mas, pra mim, salvo
engano,
são as cinco loucas do hospício.
tão, tão, tão, tão, mas tão bem
como a mim e às
loucas do hospício.
Percebi, compreendi, desde o
início,
no arremate deste riso solto,
feitos fôramos umas pro outro,
eu e as loucas do hospício.
Ana Clara, Maria, Joana,
Lúcia Maria e Luiza;
quem vai, sempre
volta e avisa:
bem-vindo de algum precipício
sois vós entre as loucas do hos-
pício.
Estarei em juízo de homem,
ou será este algum torpe vício?
Não sei, mas, pra mim, salvo
engano,
são as cinco loucas do hospício.
A Sereia Branca
Hoje terei a sereia branca
pousada solerte no Hotel Del Mar.
Nesta noite paulistana,
noite fria em que mal se enxerga,
noite de nuvem, noite de névoa,
espíritos lassos e bairristas
entre quadriláteros assimétricos
e palmeiras ancestrais
habitam nas praças, nos canteiros,
conduzem carros,
transeuntes.
Que importam as guerras,
a fome, a morte?
Hoje terei a sereia branca....
Do alto de minha cidade,
de bem acima dos arranha-céus,
sinto-a sozinha no azul primeiro.
Uma confidência pura, simples e celeste
se desprende dos céus de Mário de Andrade
e retorna em código ao calçamento.
Revejo meus pares desinformados,
descubro fantasmas que antes não vira;
acrescentam água, cal, cimento.
Hoje terei a sereia branca
pousada solerte no Hotel Del Mar.
pousada solerte no Hotel Del Mar.
Nesta noite paulistana,
noite fria em que mal se enxerga,
noite de nuvem, noite de névoa,
espíritos lassos e bairristas
entre quadriláteros assimétricos
e palmeiras ancestrais
habitam nas praças, nos canteiros,
conduzem carros,
transeuntes.
Que importam as guerras,
a fome, a morte?
Hoje terei a sereia branca....
Do alto de minha cidade,
de bem acima dos arranha-céus,
sinto-a sozinha no azul primeiro.
Uma confidência pura, simples e celeste
se desprende dos céus de Mário de Andrade
e retorna em código ao calçamento.
Revejo meus pares desinformados,
descubro fantasmas que antes não vira;
acrescentam água, cal, cimento.
Hoje terei a sereia branca
pousada solerte no Hotel Del Mar.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Valsa Clara
A valsa tocava para Elisa,
era por e para Elisa,
e não havia, na constelação
de demônios que nos assola,
sombra ou força de trevas
que a pudesse abalar.
Os sons, as vozes, eram outros,
ainda bem cedo de manhã,
antes que as pessoas
entrassem no trabalho.
Pouco depois, a rotina
lhes impunha (ou res-
taurava, como queira),
a voz baixa, o falar pouco,
o rosto sério, o olhar atento.
era por e para Elisa,
e não havia, na constelação
de demônios que nos assola,
sombra ou força de trevas
que a pudesse abalar.
Os sons, as vozes, eram outros,
ainda bem cedo de manhã,
antes que as pessoas
entrassem no trabalho.
Pouco depois, a rotina
lhes impunha (ou res-
taurava, como queira),
a voz baixa, o falar pouco,
o rosto sério, o olhar atento.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
comatemática
Eu coma
Teu coma
Ele coma
Nós comas
Vós comas
Eles comas
E só despertem,
e só despertemos do coma
para assaltar a geladeira às três.
Teu coma
Ele coma
Nós comas
Vós comas
Eles comas
E só despertem,
e só despertemos do coma
para assaltar a geladeira às três.
nada e mais um pouco
nada e mais um pouco
este foi sempre
meu pedaço de chão
pedras em bloco, concreto ereto
como escapar, a corda no chão
este foi sempre
meu pedaço de chão
pedras em bloco, concreto ereto
como escapar, a corda no chão
dia bom (dia)
papel e folhas
textos, fotos
quem sabe ou saberá
acomodar, recolher tantos vestígios
que amam e perdoam e tornam a nada
(enquanto isso, a pequena Clarissa
sopra bolhas de sabão).
textos, fotos
quem sabe ou saberá
acomodar, recolher tantos vestígios
que amam e perdoam e tornam a nada
(enquanto isso, a pequena Clarissa
sopra bolhas de sabão).
sábado, 12 de setembro de 2009
um sopro de vento
um risco, um traço,
um sopro de vento.
o maior problema não será enfrentado,
nem o segundo, nem o terceiro.
os marcos antigos foram removidos
e as cercas dão conta de outro massacre.
economizar papel e perder tantas vidas
parece uma estranha preocupação ecológica.
nadar no mar, ir às ilhas,
reviver no rio um imenso folclore...
(não, andré,
não é o momento...)
eu sou apenas um sopro de vento,
um sopro de vento e nada mais.
um sopro de vento.
o maior problema não será enfrentado,
nem o segundo, nem o terceiro.
os marcos antigos foram removidos
e as cercas dão conta de outro massacre.
economizar papel e perder tantas vidas
parece uma estranha preocupação ecológica.
nadar no mar, ir às ilhas,
reviver no rio um imenso folclore...
(não, andré,
não é o momento...)
eu sou apenas um sopro de vento,
um sopro de vento e nada mais.
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Rascunho
Vou tentando reparar
coisas que fui.
Fazendo novas curvas
abertas no tempo aveludado...
sinuosas e furtivas
linhas pessoais.
Sempre deselegantes
as linhas regressas.
coisas que fui.
Fazendo novas curvas
abertas no tempo aveludado...
sinuosas e furtivas
linhas pessoais.
Sempre deselegantes
as linhas regressas.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Simplesmente
Olhei a velha árvore
grande e verde.
Olhei as raízes.
Olhei as folhas.
Olhei os frutos...
Com um profundo olhar
que não gostei.
grande e verde.
Olhei as raízes.
Olhei as folhas.
Olhei os frutos...
Com um profundo olhar
que não gostei.
Fico
Vou ficando sem a visita própria,
nos momentos planificados,
pela realidade, do pranto e do lamento.
Não é força. Não sei quanto me entrego
sem afeição ou entendimento,
à esse tempo suposto e inesperado.
nos momentos planificados,
pela realidade, do pranto e do lamento.
Não é força. Não sei quanto me entrego
sem afeição ou entendimento,
à esse tempo suposto e inesperado.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Sementes de Fé
A fé é absolutamente necessária, porém a fé isolada não basta para nosso propósito. Porque podemos ter fé e ao mesmo tempo deixar Deus fora de nossas vidas.
Anônimo
Anônimo
Assinar:
Postagens (Atom)