sábado, 28 de julho de 2012

a mulher é a mesma

ontem, hoje e sempre
a mulher é a mesma 
a mulher é igual 

aquela frágil criatura
de vastos olhos castanhos 
que nos devora feito criança
como a meros seres humanos

onde quer que seja ou esteja
a mulher é a mesma
a mulher é igual

aquele vasto bálsamo puro
em seu desejo o verdadeiro instante
chamem a mulher assim mesmo
pé na estrada e mãos no volante

domingo, 27 de maio de 2012

Via Expressa

Na curva de acesso à via expressa,
da frase pixada, o impacto no concreto:

A vida é assim !?! 

O que responder?
Acelerar, esquecer... 

Pra jogar tudo fora, jogar tudo fora
antes ou depois de um fato qualquer.

sábado, 28 de abril de 2012

O Halo

Cavaleiro de antigas batalhas
sobre um corcel de imaculado azul
como um vítreo monumento
às galáxias nebulosas.

Desliza sobre a planície cinzenta
cortando, rosto lívido, altivo,
o halo claro e gelado do metal.

Solitário remanescente de um povo
de antigo e distante apogeu,
vaga sob o céu estampado
em busca de um caminho, um elo.

Seu olhar fita a noite deserta,
quer viver, quer amar, quer sonhar,
mas há que seguir cavalgando;
seu olhar, seu olhar, seu olhar.

domingo, 11 de março de 2012

Progresso

Aqui em frente
de onde eu moro
havia uma casa
de jardim espaçoso.

Aos domingos,
a família reunia-se no jardim,
ouvia-se o barulho de copos,
conversa, talheres, enfim.

Como tudo neste mundo
ou muda ou há de acabar,
também a casa foi vendida,
demolida e, em seu lugar,
construíram uma mansão
que é triste, é luxo,
é desolação.

Que saudade do barulho
que, domingo à tarde,
a casa fazia.
(Tinha até uma bandinha de rock...)

Que saudade do verde,
dos carros,
das chegadas e despedidas,
dos fortes, dos fracos,
do que mais há de haver.

Alguém alegre ou triste,
que eu não sou de fazer previsões,
há de ocupar a casa nova,
vertical, ereta, espectral.
Alguém rico, pouco ou muito,
alguém, somente alguém.

sábado, 10 de março de 2012

Propriedade Privada

Conecte o carregador...
a voz na calçada:
trocado, doutor?
Carregando...

sexta-feira, 2 de março de 2012

Arco-íris

O verde e o laranja
são hoje cores corriqueiras
onde ontem versejavam
o vermelho e o azul

No jardim ao redor de Clara
pássaros vão despertando
ao derredor da aurora
no rosa-lácteo tom da hora

Vou subir a São Tomé
lá tem tesouros guardados
água forte nas cachoeiras
e pedras altas pra namorar

Vou subir a São Tomé
reviver as doces lendas
cantar canções antigas
d'ocê pega o trem azul
o sol na cabeça

Ontem, hoje, sempre 
o sol dourado na janela
me acorda logo cedo 
me repõe na fila de carros
O jardim é doce esperança 
de logo ver meu Pai

sábado, 25 de fevereiro de 2012

O Prego

O prego aponta
cego
na mão da mucama
entre os rumores da casa

Bate uma porta,
a menina chora
e o quarto parece pequeno
ante tanta solidão represada

Porque a poesia
é sempre tão triste
pergunta o menino
ao grave tutor
que nada não nunca responde

Cai uma chuva rala
e prosseguimos
demolindo devagar
a parede de orgulho,
egoísmo e ódio

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Aniversário do Poeta

E vamos em frente, apesar das coisas.
São tão fortes as coisas, afirmou o poeta.

Eu nesta cidade,
a praia que não se supõe,
apenas se imagina.

Rio de Janeiro, lugar de meu pai,
São Sebastião de raros amigos,
E as mãos do poeta em seu puro ofício.

Longa espera no carro, no asfalto,
São Paulo de seres tão alheios, cordatos,
Lugar, um dos poucos, em que mendigos são livres,
Raiar e ocaso da grande metrópole.

São Paulo, eu te alardeio e te guardo,
Ao que, tarde ou manhã, noite, sobre ti cai.
São Paulo, eu te respiro e te revejo no fundo
De Itabira, Itabira do Mato Dentro.

domingo, 23 de outubro de 2011

Servindo

Ser,
vir a ser,
servindo.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

vendas à vista

vendas a prazo,
vendas à vista,
meus olhos à venda,
vendas à vista...

vendas a prazo,
a perder de vista...
meus olhos à venda,
vendas à vista...

Pelotão... alto!

domingo, 7 de agosto de 2011

Fernanda

Fernanda,
meu coração escorre e desanda
nas ondas que esse mar te manda,
na areia onde você anda,
ah...

Fernada,
contigo eu vou até Luanda,
fervendo essa fogueira branda,
na areia onde você anda,
ah...

sábado, 6 de agosto de 2011

carro, barro

carro, barro
sarro, escarro
barro!

Seu Amor

Seu amor me fez
raiar o sol de novo.
Como uma chuva de verão,
inundou meu coração,
eu sou do povo.

Seu amor me fez
raiar o sol de novo.
Como um novo amanhecer,
hoje eu vivo a te querer,
Deus, eu te louvo.

domingo, 24 de julho de 2011

Amada

Corra e veja a lua
veja as estrelas

corra e veja a lua
eu hei de vê-la

amada, adorada
sorrindo

com seus cabelos
tão lindos

tão lindos

domingo, 5 de junho de 2011

A Caverna

Cavo... cavem!
Cavo... cavem!
Cavo, cavem, cavamos,
cavamos na caverna.