domingo, 24 de julho de 2011

Amada

Corra e veja a lua
veja as estrelas

corra e veja a lua
eu hei de vê-la

amada, adorada
sorrindo

com seus cabelos
tão lindos

tão lindos

domingo, 5 de junho de 2011

A Caverna

Cavo... cavem!
Cavo... cavem!
Cavo, cavem, cavamos,
cavamos na caverna.

domingo, 22 de maio de 2011

Beatriz

Beatriz
a flor, a dor que eu sempre quis
só ela assim me fez feliz
eu era um simples aprendiz
de Be - a - triz

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Sólidas Manhãs

Sólidas manhãs
vão se quebrando
sem incenso, sem meu rito,
tal qual as recebi.

Serei capaz
de tornar estas manhãs
em sólidas, sóbrias e fortes,
manhãs plenas e serenas,
tal qual as recebi?

Adeus, sombra
do quarto de dormir,
restam-me dois tostões
que ninguém irá pedir.

Quando me levantar,
minha armadura romperá a manhã,
a manhã de hoje.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Juntos

Juntos,
somos sóis
no sertão.

Aprendemos
a dar água,
dar a mão.

Dois felizes
aprendizes
desde então.

sábado, 8 de janeiro de 2011

De Pé Junto ao Rio

De pé junto ao rio,
eu caminho
por estradas de outrora
e meus dentes sorriem
um sorriso tardio.

Dançam os pés,
dançam na esquina,
levantam poeira
na velha oficina.

Meu pai diria que o filho
não nasceu para os negócios...

Está certo, meu velho,
está certo,
mas meu peito
é moeda de troca.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Tarde de Junho

I

No labor de outro dia,
eu te encontro, tarde de junho,
te contemplo e te indago,
o que me trazes
de novo ou de antigo,
de iniciado ou de findo,
a mim,
que, incauto, te espreita?

A mim,
a quem nem tanto importa
teu sujeito e objeto,
teu melhor argumento
e tua tônica severa
com que enleias
amadores

mas sim, tua substância,
tua carne e crepúsculo,
prenúncio da noite,
em que homens se encontram,
se refugiam em copos
e matam
o que neles quer morte.

Tarde de junho,
tu que espias
a aurora selvagem,
suas cores perscruta
e em brancas nuvens se esvai.


II

Em algum ponto
da estrada,
eu ergo os olhos
e ouço
o vento e um grito
surdo
que na água
algum dia darei.

Metade de mim
te contempla,
teu véu rude e negro,
sem encanto aparente
ou marca de sedução,
um véu andarilho
que a tudo encobre,
entre presa e algoz.

Tarde de junho,
eu te alardeio
e tu vagas alheia
ao que sobre ti cai.

sábado, 30 de outubro de 2010

Obras de Tuas Mãos

Obras de tuas mãos
são os mais altos céus
e os mais profundos
mares;
obras de tuas mãos.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

vou a nado

na baía, seus encantos
sejam santos,
mais não há

vou-me embora,
vou pra Santos,
São Vicente,
ver o mar

vou nadando
a São Vicente,
o canal atravessar

vou a nado,
vou a nada,
nada mais
me faz parar

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

dunas densas

(o longo vale que nos separa)

as dunas densas, dunas densas
que para sempre nos igualam
como estar sem nunca ser
e apenas ser num só lugar

dunas densas, dunas densas
que para sempre nos igualam...

A Muralha

Nós criamos a muralha
e o instinto não nos vale
e nada espera
e tudo permanece
em constante mudança
mas no fundo igual

O vale ecoa
de manhã, de manhã...

prospera o fato
de que nada
é o mesmo.

sábado, 25 de setembro de 2010

Rascunho

andarilho, na força do trilho
no meu estribilho
já não há corpo que force
e centrados entramos
e vemos e vamos
na orla de areia, espelho de
luzes...

sábado, 11 de setembro de 2010

Estudo nº 3

Olhas o mundo com desdém,
enquanto a paixão te consome.
Os coletivos passam,
os homens esperam em fila,
os engraxates esperam,
as prostitutas esperam,
e teu olhar paira distante
sobre tanta espera represada.

Permaneces inerte
naquele antigo
transe
e percebes
o quanto és pequeno
ainda,
o quanto és tolo
ainda.

Entanto, herdas um pouco de
tudo:
dos mendigos, polida esperança,
dos palhaços, a luta e a dança,
dos pássaros, a manhã!
Ode ao poeta morto!
Ode ao profeta vivo!
Ode, plasmode, desode!
Pra que tanta ode, meu Deus?
Se quiseras, apenas, (quiseras?)
botar em fogo essa paixão
que te devora o coração.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Poema só para Marcelo e Marília

Na curva ruidosa dos 42
eu entro rasgando embalado a 90
(Fahrenheit, na sombra)
na estrada velha, estrada
de bem antes do meu tempo,
essas reservas colossais de tempo
de que falou o poeta
e que agora compreendo.

A floresta antiga, ancestral,
a lima da rima seca, lavada
no orvalho da Europa outonal.

(A velha cerca ao pé da estrada,
madeira, carros e ferramentas,
a vizinha de botas e jardineira
cresceu, desandou, força menina,
a chuva rala na velha estrada).

As árvores nuas no cinza do céu,
Coberto de folhas, molhado, o chão,
Na breve passagem do verde ao marrom,
Começo de outono, final do verão.

Uma Luta Diária

Eu luto diariamente para manter a minha vida e a de minha família. E notei que a felicidade vem de um esforço de abnegação. Amizade significa entrega e amor significa entrega infinita. Eu estou em busca de amor pleno e ele é incondicional.

Mas muita gente não pensa assim. É uma decisão que todos precisamos tomar, sobre o quanto podemos ou queremos amar. Eu penso que o amor precisa ser incondicional porque, nesta vida, sempre vai haver quem nos confronte.

Não sabemos o que nos está reservado, por isso é bom aprender, desde cedo, a viver e sofrer com paciência. Posso pedir ajuda a homens, mas a minha esperança está no Senhor. Por isso, a cada dia sou mais respeitoso e calmo com os homens.

Há algum tempo, diante das notícias tristes na TV, reparei que há muitos que falam de Deus, mas esquecem da democracia e da república, do socialismo e do liberalismo, do direito e da justiça. E senti clara e calmamente que o meu chamado era o de um libertário.