quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Na Vila de Camburi


Na Vila de Camburi
o sol vai raiar
andar pela areia
sair pra pescar

Na Vila de Camburi
ainda é tão cedo
eu ando na areia
eu tardo em segredo

Empurram o barco
os três pescadores
o céu feito anil
se desmancha em cores

O barco avança
sobre o espelho das águas
os homens remando
desmancham as mágoas

O sol vai se erguendo
Enquanto o barco avança
Na manhã desse dia
O barco é a esperança

(...)

segunda-feira, 27 de julho de 2015

sábado, 16 de maio de 2015

Inside of Your Love

All of the struggle
To be and to shove
To live and to love
Is not yet enough
To make understand
That You are above


(As we are above
Inside of Your love)

And while we may find
Our true only size
It’s but a surprise
It may be enough.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Hora Morta

A morte é a redenção
dos vazios estados de alma,
dos ausentes estados de espírito,
a morte é o viver definitivo.

Tudo aquilo que nos atordoa
e que ora nos faz menos livres,
cessará, deixará de existir.

O tempo, em horas e dias,
cessará, deixará de existir,
e a tristeza, doce armadilha,
acabará, para sempre, enfim.

Mas meu eu,
aqui, hoje, ainda,
late, rosna e morde,
num canto qualquer da cidade.

Sábado, nesta hora morta.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Vivo em Veneza

O arlequim navega
pelo canal
ao cair da noite
sozinho na gôndola
alheio a tudo
olha sempre para frente
empurra o remo para trás
todo céu que ele sente
no presente que ele traz

O semblante branco
como a lua
tudo parece quieto
quando ele passa
pela ponte do Grande Canal
um anjo diante
do bem e do mal

Rodeado de casas grandes
vários andares, muitas janelas
algumas fechadas, iluminadas
outras abertas, desesperadas

A água é de um azul profundo
e ele sente muita paz
e de alegria quase chora
hoje cedo enfrentou a dor

sexta-feira, 24 de abril de 2015

O Martelo

Toc, toc, toc...

O martelo tem seu tempo
de parar e de bater;
martelo disparate,
bate pau até doer.

Rima Barata

Nas ruas por onde eu ando,
trafegam ambulâncias, sirenes,
viaturas da ordem, comando
de Neivas, Marias, Irenes.

Árvores, casas, igrejas,
alcovas, casais se amando,
torres, asfalto, concreto,
nas ruas por onde eu ando.

Balaios, mulatas, navios,
meu peito, meus braços remando
à sombra dos ventos bravios,
nas ruas por onde eu ando.

A Alemanha
São as florestas
E as montanhas do Spessart
São as praças de Munique no verão
São os vales do Reno com suas videiras
É Colônia e sua imensa catedral
São os castelos e os lagos com seus cisnes
É Berlim com suas aleias e seus parques
É a Filarmônica e suas muralhas de som.

A Alemanha
São as rodovias de seis pistas em cada sentido
É o Estado de Direito em seu tom mais puro
São as mulheres e as crianças brincando ao sol
É Frankfurt com seu aeroporto e seus bancos
É o sol sobre os prados no verão
É o mar do leste e o do norte no outono
É a vizinha de botas e jardineira
São as tortas com café à tarde às cinco.

A Alemanha é tudo que outrora eu fui
É aquilo que eu vi e eu tento ser,
É aquele lado chato de saber,
Mesmo viajando de carro,
A que horas se vai sair e se vai chegar.
A Alemanha é um país
Em que vale mais a pena viver.

Fábula da Rua e do Jardim

Gazelas rúbeas, aonde ides
Tão ornadas, mais que belas
Despertar mares e marujos
Melhor seria deixa-los quietos
No convés de um barco escuro
Do que a eles vos unirdes

Ó brônzeas virgens de antanho
Coração grande, sem tamanho
Ó feridas falsas carmelitas
E agora sempre-negras-ditas
Ó cálidas mulatas
Das primeiras serenatas
Do remanso das regatas
Ó puras naus ventriculares
Zombeteiras nos olhares
Estais ausentes, alteradas
Ó meninas mais manchadas

Hoje eu quero alimentar-vos
Entreter e cortejar-vos
Como pássaros à aurora
Como hei de perscrutar-vos
Embeber e embalsamar-vos
Entre pétalas lilases
Negras flores dos oásis
Assim mesmo irei furtar-vos
E entre feixes derramar-vos
No rosa-lácteo tom da hora

Avançando em vã revolta
Estais perdidas, quão rendidas
Longe vai a vossa escolta
Sois agora violáceas
Da floresta, presas fáceis
Seus vestidos, branca renda
Sua carne cor de amêndoa
São rasgados por espinhos
Ó quão poucos os caminhos
Que a manhã ousou deixar-vos
Mortais fendas do calvário

sábado, 3 de janeiro de 2015

Algum Silêncio

Veja o silêncio depois do som,
a pausa entre notas musicais,
o silêncio recheado do canto das aves,
o silêncio das mulheres no Brasil, no Japão,
na África, em Londres,
no Afeganistão.

Às vezes, fico sem pernas,
mas essa pureza...
é daí que vem meu afeto,
meu carinho desmesurado,
seja qual for a sua opção.

O silêncio merece o carinho das folhas,
das árvores, vento, sol e cadeira.
O silêncio merece respeito e tristura.
O silêncio do ator no palco vazio:
um homem só, mesmo
entre todo o elenco;
o silêncio entre falas, entre momentos
de calar a plateia.

O silêncio da torcida diante do gol,
o silêncio mais óbvio e desajeitado,
a boca pequena que fala de lado,
o silêncio do artista diante do fato.
E dele extrair risos, quimeras,
volúpia e anseios, mansidão.

O silêncio abundante
no ventre da Vênus,
o silêncio das tardes
em colos morenos,
o paraíso perdido
de Paul Gauguin
e o lume leitoso
desta manhã.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Silêncio no Recife



Silêncio no Recife,
silêncio em Pernambuco,
silêncio no Brasil,
(um silêncio sepulcral).

A imagem sem música, a noite sem luz,
ecos de um potente motor de avião,
as ruínas da casa, a fumaça, os escombros,
o enterro do que ontem foi uma promessa.

Será necessário reconstruir o dia,
reviver o que sempre se quis e se pôde,
reerguer no planalto um redivivo chamado,
o chamado do homem Eduardo Campos.



sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Mama's Little Tiger

Mama’s got a little tiger

And the tiger thinks she’s fine

Mama’s got a little tiger

And the tiger knows she’s mine



What in the world can do me harm

When I’m mama’s little tiger

And she calls me tiger warm

Mama sure can take me higher

Mama sure can do it calm

quinta-feira, 13 de março de 2014

This Love of Mine



There is no greater Love

Than this Love of mine

There is no later love, so let it shine

Shine in my house, my love,

shine in the trees

There is no later love

It only is.



When I forsake your love

Oh hold me please

There is no later love

It only is.

     

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Evasão

Nesta noite cálida de sábado,
em que muito da alegria me foge
num grande turbilhão de mudanças,
eu espero encontrar a moça plena e refeita das suas andanças.

Espero nela deitar os olhos
como num grande navio,
em que tudo recende a planos
a mudança, a desafio.

E espero que ela também me veja
e me inclua nos seus planos,
me ajude a fechar olhos,
e desfaça os meus enganos,

Como as chuvas durante o estio,
as chuvas boas de verão,
me desperte, acorde os brios,
aponte o rumo da evasão.

sábado, 1 de setembro de 2012

Negra Olaria (Pausa da Glória)

Vem do cortiço
a nossa história
no rebuliço
pausa da glória

e marca o passo
que vem de dentro
pausa da glória
do pensamento
alegoria
pausa da glória
pátio dos anjos
no céu da escória
saudoso átrio
sobe por dentro
desmarca o passo
do pensamento
Negra Olaria
pausa da glória
tijolo e sangue
da nossa história
pausa da glória
sejam bem-vindos
soltos em cantos
no céu dos índios
Pausa da Glória
pausa da glória
pátio dos anjos
no céu da escória